Um ano de perdas e escândalo na política e de combate a criminalidade

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Denis Pereira – A Voz da Notícia

O ano de 2018 está chegando ao fim. Um ano de mudanças e de transformações. Nestes 365 dias que se finda, vimos ser preso o ex presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), dono de um rebanho apaixonado por sua atuação em favor aos menos favorecidos. Um presidenciável ser atacado em plena campanha em Minas Gerais, mas ganhando forças nas redes sociais e se elegendo presidente do Brasil, o militar Jair Bolsonaro.

Falando em Minas Gerais, um partido novo, sem expressão e tradição, desbancou a disputa pelo Governo do Estado e o empresário Romeu Zema venceu a concorrência contra PT e PSDB e vai assumir o comando de Minas com problemas demais para serem resolvidos. O atual governador Fernando Pimentel (PT), termina o mandato com déficit orçamentário de R$11,4 bilhões.

Três Pontas se despediu de dois ex-prefeitos. João Vicente Diniz morreu no dia 16 de fevereiro, aos 78 anos. Ele foi prefeito entre os anos de 1976 a 1982 e estava internado a 76 dias, no Hospital Humanitas em Varginha. Ele havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico e depois houveram várias complicações.

Exatamente dois meses depois, a cidade parou para se despedir de Adriene Barbosa de Faria Andrade. A primeira mulher a governar Três Pontas, deixou um rastro de tristeza na sua partida, diferente do que fez quando administrou a cidade entre os anos de 2001 a 2004. O corpo dela foi velado onde sua história começou: na Apae e depois foi levada para Boa Esperança, sua terra natal, onde foi sepultada.

A política foi machada

Neste ciclo que se termina, a história política municipal foi arranhada por um escândalo e deixou os trespontanos perplexos.

Em maio, a denúncia feita pelo vereador Roberto Donizetti Cardoso  ao Ministério Público, de desvio de recursos públicos, na compra de peças e serviços, calculado em R$1,5 milhão, terminou com a prisão de cinco pessoas que ocupavam cargos no alto escalão da administração do ex-prefeito Luiz Roberto Laurindo Dias (PSD) – dois deles secretários municipais, hostilizados e chamados de ladrão por um coro de populares na porta da Delegacia de Polícia Civil. As imagens correram o Brasil e a Operação Trem Fantasma desencadeou uma crise na Prefeitura.

Dias depois, um incêndio onde estava um arquivo da Prefeitura no Parque Municipal Vale do Sol levantou a suspeita da Polícia Civil. A Chefe da Guarda Civil Municipal Leonara Naves, foi presa acusada de acuar testemunhas no caso. As investigações ainda prosseguem em segredo de justiça.

O prefeito Dr. Luiz Roberto não resistiu. Em 22 de maio, renunciou ao cargo em um pronunciamento feito em seu gabinete. Esperança do povo trespontano, que lhe deu uma vitória histórica com mais de 8 mil votos de diferença, Luiz Roberto foi embora. Voltou para seu consultório médico, 517 dias depois de assumir o cargo, com semblante abatido e dizendo que abriria mão da Prefeitura, a favor da sua família.

O vice prefeito Marcelo Chaves Garcia (MDB), que disse que não sabia da decisão, assumiu o Município, oficialmente na Câmara em 28 de maio. Durante uma cerimônia rápida e simples, tomou posse pedindo apoio, compreensão e parceria com os vereadores e a população. Depois do protocolo de posse cumprido, em entrevista coletiva, anunciou sua equipe de secretários, priorizando servidores efetivos. Meio também a uma crise financeira, dada a falta de repasses do Governo do Estado de Minas Gerais, o que o fez decretar Estado de Emergência.

A Câmara não acatou a denúncia contra o vereador Antônio Carlos de Lima (PSD), que pedia a perda de seu mandato, pela prática de discriminação racial contra a doméstica Vera Lúcia Valentim. É ela quem assinou o pedido protocolado no Poder Legislativo em março. Ela acusa o legislador de ter a chamado de macaca, enquanto aguardava atendimento médico no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). A doméstica registrou o boletim de ocorrências e o caso está foi parar na justiça.

O ano da Polícia Civil

2018 foi o ano da Polícia Civil. Com uma equipe disposta, eles cortaram fronteiras, enfrentaram, preveniram e combateram o crime.

Em janeiro, três homens foram presos, dois deles de São Paulo (SP), que estavam vendendo carteira de habilitação falsificada para trabalhadores rurais. O outro era o morador da cidade que havia aliciado os 10 candidatos. Juntos eles gastariam R$19 mil em dinheiro que foi apreendido.

A equipe foi em Carmo da Cachoeira e recuperou um trator furtado de uma propriedade rural em Santana da Vargem.

Em julho, no bairro Vila Marília, a Polícia Civil e  Militar, prenderam escondido de baixo da cama, em uma manhã de domingo, Gileno Cardoso de Paula “Gatinho”. Ele responde a diversos inquéritos por assaltos na zona rural. Em todas as vezes, agredi as vítimas e toca o terror em sítios e fazendas.

Prenderam em outubro na cidade de Alfenas, dois suspeitos de terem assaltado em agosto, uma loja de departamentos, em plena luz do dia. Rafael Alves da Silva de 30 anos e Ademilson Vitor Silva de 32, foram encontrados em casa e ambos já eram conhecidos da polícia.

Uma onda de furtos registrados em estabelecimentos educacionais e comerciais, principalmente no Centro, teve seus autores identificados e presos. Grande parte dos materiais foram restituídos ao patrimônio das vítimas, que ficaram felizes e satisfeitas com o trabalho realizado.

A Polícia Civil esteve mais próxima da comunidade, aproveitando do empenho para recuperar celulares, na Operação Fim da Linha, inédita na região. Foram recuperados mais de 100 aparelhos, produtos de furtos e roubos e a devolução deles, foi durante um café servido na Delegacia de Polícia. Além disso, a equipe de policiais e investigadores, foram até as escolas, municipais, estaduais e particulares e na Apae e ministraram ao todo 10 palestras. Eles falaram da prevenção ao furto dos celulares e da exposição deles em redes sociais e aplicativos. Foram distribuídos cartazes e panfletos na cidade, alertando sobre as medidas de segurança.

Em junho, a Operação Pica Pau, levou para a cadeia sete pessoas de uma quadrilha, que aplicavam golpes no comércio com cheques sem fundo e causou enorme prejuízo. O líder da quadrilha, Sérgio Henrique Ribeiro da Silva “Zeca Urubu”, aliciava usuários de drogas.

A atuação da Polícia Civil foi muito forte durante todo o ano, no combate ao tráfico de drogas. Mesmo com diversos locais sendo monitorados por câmeras de segurança, os policiais civis conseguiram fechar diversas bocas, casas e locais onde as drogas eram vendidas em plena luz do dia, sem nenhuma preocupação. A atuação trouxe nova rotina ao bairro Padre Vitor.

Quem caiu nas mãos da Policia Civil e Militar, em março, foi Jonatan Demir de Souza, conhecido por “Di Meia Noite”. Porção de maconha, dinheiro, e anotações da contabilidade do tráfico foram encontradas na residência dele no Padre Vitor. Com a prisão dele, a Polícia Civil disse que acredita que retirou de circulação um rapaz conceituado e de respeito no mundo do crime. Além de diversas passagens por tráfico, “Di Meia Noite” é suspeito de ter envolvimento com uma organização criminosa que age dentro e fora dos presídios.

Em abril, em uma casa da Rua Cuiabá, os policiais apreenderam 108 pedras de crack, 63 papelotes de cocaína, mais 15 porções maiores da mesma droga, 32 buchas de maconha e R$2.230,50 em dinheiro. Na casa estava Gustavo Henrique Serafim de 32 anos, Raian Silva Pereira de 19 anos e um menor de 16 foi apreendido. Poucos dias depois, pessoas ligadas a eles, suspeitas de participarem de uma organização criminosa foram presas. Entre elas duas mulheres, sendo uma jovem de 19 anos que estava grávida. Em diligências feitas na Praça da Liberdade e no bairro Padre Vitor, foram apreendidos cerca de quatro quilos de crack, armas e munições.

Foi parar atrás das grades, em outubro, Felipe de Paula Silva, o “Felipinho”, um dos principais líderes do tráfico de drogas em Três Pontas. Ele foi preso em casa, em Varginha e já foi condenado a 7 anos de prisão. Ele era responsável pela distribuição de drogas em diversos pontos da cidade e tinha o poder de aliciar menores e adultos para o crime.

A Operação Cavalo de Tróia em meados deste mês, colocou fim a atuação de sete pessoas, que usavam a Praça do Cruzeiro, no Padre Vitor e uma casa, alugada exclusivamente para o tráfico de drogas. Ecstasy, maconha, cocaína, dinheiro, celulares e itens que certamente foram trocados pelos entorpecentes foram encontrados. No imóvel não havia móveis, porém, um moderno sistema de câmeras que monitorava os usuários e a chegada da polícia, nas esquinas das ruas São Paulo e Brasília.

A grande quantidade de drogas apreendidas em Três Pontas no primeiro semestre, ficou demonstrada, na incineração realizada em setembro. Maconha, crack, cocaína e LSD, muitos embalados para a venda foram consumidos pelo fogo, no forno de uma cerâmica. As drogas estavam avaliadas em mais de um R$1 milhão, um prejuízo enorme para o tráfico.

Foram ao todo 15 ocorrências de tráfico, sendo 10 apenas no bairro Padre Vitor. 23 pessoas foram presas em flagrante, 19 somente no Padre Vitor e três menores apreendidos.

Foram três pessoas presas e dois menores apreendidos durante os cumprimentos de mandados de buscas e apreensões expedidos pela justiça. Ao todo 13 pessoas foram presas acusadas de receptação e oito armas foram apreendidas.

Ao longo deste ano de 2018, 44 operações foram realizadas, com a prisão de 79 pessoas, uma média de 6,5 prisões por mês e cinco menores apreendidos.

Estatísticas da Polícia Militar mostram queda nos crimes e aumento de presos

Os números das estatísticas apresentados pela Polícia Militar, mostram um avanço na prevenção e repressão ao crime. Os dados divulgados são referentes a 1º de janeiro a 27 de dezembro de 2018.

Os crimes violentos caíram de 74 em 2017, para 49 em 2018, uma variação positiva de 33,78%.

O número de roubos, tentados e realizados também caiu. Foram 76 no ano passado e 53 em 2018, uma diminuição de 30,26%.

Os furtos também diminuíram, tanto a tentativas como as situações em que os criminosos conseguiram concretizar o crime. Apesar da onda registrada em lojas do Centro no mês de agosto, ainda houve queda. Foi menor em relação aos outros índices, 11,54%, sendo 806 em 2017 e 713 furtos em 2018.

Os policiais militares conseguiram apreender durante ocorrências e operações, quatro armas de fogo a mais do que o ano passado. Foram 28 contra 24, um crescimento de 16,67%.

A Polícia Militar também atuou fortemente contra o uso e o tráfico de drogas. Tanto que a quantidade de pessoas envolvidas nas ocorrências como uso e consumo de drogas disparou. O número de menores apreendidos se manteve – 41 em 2017 e 40 em 2018. Porém, o número de adultos presos subiu de 120 para 239, um crescimento de 99,17%.

Em relação ao tráfico, cresceu o número de menores apreendidos, de 29 para 35 e pessoas presas acusadas de traficar, subiu 57,81%, de 64 para 101 este ano.

Uma das demonstrações que os menores estão sendo cada vez mais usados no tráfico, é que em novembro, policiais militares ficaram surpresos ao encontrar mais de 19 mil na casa de um adolescente de 17 anos, no bairro Santa Edwirges. A apreensão foi durante patrulhamento de uma guarnição, que recebeu denúncia que um estudante estaria traficando próximo da  Escola Estadual Presidente Tancredo Neves comercializando drogas. Ele estava com diversas pedras de crack e confessou que estava vendendo drogas. Quando os militares foram na residência dele, encontraram dentro do guarda roupas R$19.338,00 em dinheiro, que o adolescente disse ser da venda de drogas.

Em junho, um caso chamou a atenção da cidade. Três homens, já bastante conhecidos no meio policial, atenderam as ordens de uma organização criminosa, que age dentro e fora dos presídios e incendiaram o veículo particular de um dos diretores do Presídio de Três Pontas. O bando agiu de  madrugada onde ele mora. Por sorte, o diretor viu e conseguiu conter as chamas. A Polícia Militar se desdobrou e no fim da tarde do mesmo dia, prendeu os suspeitos: seis pessoas, sendo três adolescentes de 15, 16 e 17 anos que foram apreendidos. Já havia sido planejado um ataque a um ônibus que faz o transporte público.

Três homicídios foram registrados em Três Pontas e chocaram a cidade. Dois deles no mês de julho e em bairros próximos. No bairro Major Braz, o irmão matou o outro com um tiro na cabeça. Igor Francisco da Silva de 19 anos, disparou contra a cabeça de Robson José da Silva “Binho” de 22. Igor fugiu de casa após o crime e se apresentou três dias depois na Delegacia de Polícia Civil acompanhado de um advogado. Ele estava muito abalado e não conseguiu nem mesmo prestar depoimento. A vítima era usuário de drogas, tinha passagens por furto e cumpria pena no Presídio de Três Pontas até um mês antes. Ele era agressivo com toda a família e até vendia as coisas de casa.

Na Rua Barão da Boa Esperança, no bairro Vicentini, uma discussão entre um casal terminou de forma trágica. O marido esfaqueou 14 vezes a mulher e depois atingiu seu próprio corpo com 8 golpes. Silvane Alves do Amaral de 37 anos morreu ao dar entrada no Pronto Atendimento Municipal (PAM) e Lúcio Vitor Pereira de 49 anos morreu dois dias depois.

Neste domingo, 30 de dezembro, o terceiro homicídio foi registrado na Rua São Pedro, esquina com a Travessa Azarias Ferreira de Mesquita com requintes de crueldade. Cícero Augusto de Oliveira Bueno de 34 anos foi morto a pauladas durante a madrugada. O autor foi preso no local. Lucas Corrêa Batista da Silva agrediu com chutes e pauladas a vítima. Ainda não se sabe ainda o que teria motivado as agressões.

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