Rede de Urgência causa mensalmente R$80 mil de prejuízo. Além disso, Hospital está sem receber recursos do Pró-Hosp que totalizam aproximadamente R$500 mil. Mesmo assim, serviços estão sendo feitos normalmente

“De maneira nenhuma temos a intenção de fechar as portas. Isto são apenas boatos”. Assim, responde a primeira pergunta feita pela Equipe Positiva, o administrador da Santa Casa de Misericórdia, Wolney Reis Figueiredo, sobre os comentários que circularam esta semana de que o Hospital São Francisco de Assis de Três Pontas pararia de atender.

O que é verdade, é que existe uma assembleia geral marcada com a Irmandade que administra o Hospital, para o próximo dia 17 deste mês, quando haverá uma prestação de contas mostrando detalhadamente a situação financeira que não é diferente do que acontece a nível nacional. Segundo Wolney Figueiredo, a mídia tem mostrado a situação dos hospitais filantrópicos e Santas Casas de todo o Brasil. Em São Paulo, a Santa Casa, chegou a fechar seu serviço de urgência, por causa da falta de medicamentos e materiais. Mais perto de nós, outra que sofre com uma dívida de R$12 milhões com bancos e fornecedores, é a Santa Casa de São Lourenço que está pedindo ajuda à comunidade. Houve uma reunião em Alfenas da Federação dos Hospitais, há cerca de 30 dias onde ficou claro que todos os hospitais estão endividados.

No caso de Três Pontas, quando a nova administração assumiu o Hospital, a exato um ano, a situação já não era boa, mas havia a expectativa para reverter o quadro, com um um aumento da receita. Tanto, que em uma reunião na Secretaria Estadual de Saúde (SES), foi divulgado o aumento no valor da diária paga para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em 100%. Isto daria uma receita de R$100 mil a mais. Porém, nada disso aconteceu.

Por outro lado, vem os prejuízos. A Rede de Urgência e Emergência custa R$280 mil, mas o valor recebido é R$200 mil para manter os plantões médicos. Só aí, chegamos há um déficit de R$80 mil. Com a implantação do SAMU anunciado para dezembro de 2013, haveria um reajuste, mas já é agosto e até agora nada.

Para complicar ainda mais a situação do Hospital, o pagamento da rede de urgência está atrasado há dois meses. Os meses de maio e junho foram pagos somente no fim do mês passado e ainda veio com um corte inesperado de R$60 mil por conta de uma punição, lamenta o administrador. O motivo é que metas não foram cumpridas, por conta da falta de um médico neurologista que o Hospital procura mas não encontra. Há falta deste profissional em todo o Brasil e nem mesmo as unidades de atendimentos da região estão conseguindo ajudar a direção da de Três Pontas.

Fazendo as contas o prejuízo é de R$140 mil. Uma situação delicada que será exposta à Irmandade, a fim de encontrar uma solução que não é o fechamento do Hospital. Uma das medidas seria buscar ajuda dos prefeitos que pertencem a microrregião de Três Pontas e são atendidos na cidade, como Santana da Vargem, Coqueiral, Boa Esperança e Ilicínea. “Eles também precisam nos ajudar”, espera Wolney Figueiredo.

 

Durante a entrevista, o administrador esclarece que é preciso separar Prefeitura, Pronto Atendimento Municipal (PAM) e Prefeitura. A Santa Casa é uma entidade particular, uma associação beneficente sem fins lucrativos. Quem decide pelos seus destinos é a Irmandade composta por 180 irmãos que são representantes da população e não a Prefeitura. Já o Pronto Atendimento está numa área que pertence ao Hospital cedida à Prefeitura, e é de responsabilidade do Município.

O Hospital tem vários tipos de receitas, além dos atendimentos particulares. É mantido através de convênios com o SUS, Banco do Brasil, Unimed, IPSEMG, entre outros. Ele também é subsidiado pela Prefeitura de Três Pontas que repassa mensalmente R$150 mil para atender aos moradores.

Outra fonte de renda que também não está chegando, são os recursos do Pró-Hosp que gera em torno de R$57 mil mensal, porém, é determinante que 20% deste valor é preciso ser investido na assistência médica. Pago a cada quadrimestre, o dinheiro está atrasado, totalizando R$247 mil. Fazendo um novo cálculo, e incluindo que já está sendo praticamente fechado o segundo quadrimestre, o hospital já deveria estar recebendo aproximadamente R$500 mil. O Pró-Hosp é recebido após cumprir metas e o dinheiro vem da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Estão entre as metas, atender no mínimo 25% de pacientes das cidades da microrregião; pacientes de Ortopedia, Cirurgia Geral e Otorrino; aumentar a taxa de ocupação do hospital que está bem abaixo do necessário – 47% dos 80% necessários.

O administrador da Santa Casa Wolney Figueiredo explica que as pessoas acham que é a Prefeitura que administra o Hospital o que não é verdade. Segundo ele, a Santa Casa é uma entidade particular, subsidiada pelo Município que repassa mensalmente R$150 mil para que população seja atendida
O administrador da Santa Casa Wolney Figueiredo explica que as pessoas acham que é a Prefeitura que administra o Hospital o que não é verdade. Segundo ele, a Santa Casa é uma entidade particular, subsidiada pelo Município que repassa mensalmente R$150 mil para que população seja atendida

Arco Cirúrgico – O aparelho é antigo e teve problemas com radiação. A constatação foi feita após o controle feito mensalmente. Por três vezes consecutivas foi detectado que o índice de irradiação foi alto. O técnico demonstrou que não poderia expor médicos e funcionários ao alto teor e o equipamento foi retirado. Com isto, foram suspensas as cirurgias ortopédicas, mas o problema já foi resolvido. Um novo já foi comprado e chega nos próximos dias. A prefeitura adiantou a subvenção para que a aquisição fosse feita.

Sobre a Unidade de tratamento para doentes mentais que já foi inclusive inaugurada, ela já foi equipada e está credenciada junto ao Ministério da Saúde. Falta apenas a habilitação, ou seja, a autorização para entrar em funcionamento.

 

 

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