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EXCLUSIVO

Denis Pereira – A Voz da Notícia

A direção da Santa Casa de Misericórdia do Hospital São Francisco de Assis, atendeu a um pedido feito pela Câmara, propriamente do presidente Luis Carlos da Silva (PPS), que além de funcionário da Casa é de certa forma um elo que existe entre a instituição e o Poder Público.

Membros do Conselho Provedor, da Irmandade e da Administração se colocaram a disposição para responder perguntas, que ao longo dos 9 meses que Keila Maria de Lima está administrando o Hospital tem sido feitas. Algumas questionam a forma de atuação da varginhense que é administradora hospitalar com 13 anos de experiência.

Observada pelos vereadores e funcionários, ela falou logo após a sessão. O pedido de Luisinho para que todos permanecessem no Plenário Presidente Tancredo Neves foi atendido até certo ponto, mas quando perguntas mais duras, na verdade o real motivo da presença dela na Câmara, quem precisava ouvir as respostas foi embora. O vereador Antônio Carlos de Lima (PSD), que recebeu carta anônima denunciando a administradora e esbravejou a algumas semanas na Tribuna, não fez a pergunta que todos esperavam e nem ficou para escutar as suas explicações.

Acompanhada do provedor Mário Reis Oliveira, Keila usou o mesmo microfone dos vereadores para apresentar o que está sendo feito na direção da Santa Casa. Ela falou da crise que vive as Santas Casas do Brasil e que infelizmente Três Pontas não foge a regra. Além da defasagem da tabela dos preços pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos profissionais, recursos das esferas estadual e federal não tem chegado, fazendo assim, com que um “Choque Gestão” seja inevitável. O Hospital tem 80% de sua produção das internações do SUS, o restante, 20% de convênios e particulares. Os repasses de 2015 não estão regulares e é a subvenção da Prefeitura e os repasses da gestão compartilhada que vem dando sustentabilidade financeira e garantindo que as portas estejam abertas.

Com o início do funcionamento do SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] no Município, o Hospital deveria estar recebendo mais recursos, o que até hoje não chegaram.

04Keila Lima aproveitou para então, pedir apoio dos vereadores na aprovação do aumento da subvenção mensal no valor de R$131 mil, pela Prefeitura o que tem sido rigorosamente repassada. Se alguém imaginar que a quantia é suficiente, ela conta que não dá nem para custear os medicamentos gastos pela Santa Casa. “Como a gente não pode contar com um valor certo e nem uma data para que o Estado nos repasse, é preciso assegurar o tratamento dos pacientes com o que é garantido”, afirmou.

Apesar do desequilíbrio financeiro, folha de folha de pagamento, compra de medicamentos e materiais de consumo estão em dia. Na visão dela, é preciso envolver os vereadores, políticos e as pessoas da comunidade para abraçarem a Santa Casa. Desde que assumiu, ela tem colocado as situações vivenciadas no seu dia a dia de forma clara e transparente, a quem quer que seja e se colocou a disposição durante o expediente do Hospital para receber quem tiver dúvidas sobre o trabalho que está sendo realizado. “Todos, independentemente da condição financeira irão precisar um dia  utilizar a Santa Casa pra uma emergência e serão lá acolhidos, antes até de serem transferidos para Varginha, não é como muitos dizem, que não precisarão do serviço nunca”.

Os vereadores tiveram a oportunidade de fazer seus questionamentos. Começou por Paulo Vitor da Silva (PP). Ele falou cerca de 10 minutos, foi e voltou, elogiou, criticou, falou das limitações do Poder Legislativo quanto a aumentar os repasses, mencionou que tem ouvido funcionários e médicos falando desta nova gestão, mas sua intenção era saber porque uma cunhada sua, que estava internada precisou de tomar um banho e não havia servidores para fazer isto. Keila respondeu que não houve cortes ou demissões de funcionários. A Administradora não soube responder especificamente o que aconteceu neste caso, mas isto não é de praxe, mas que iria averiguar o que ocorreu.

Francisco Fabiano Diniz (SD) “Professor Popó” questionou o valor da subvenção, que segundo alguns vereadores da situação havia aumentado. Ela respondeu que aumentou sim, se for considerado os recursos que são recebidos da gestão compartilhada, que são contratos diferentes feitos entre a Prefeitura e a Santa Casa, e que com isso administram juntos o Pronto Atendimento Municipal (PAM), por ser porta de entrada dos pacientes para internação.

Sérgio Eugênio Silva (PPS), quis saber sobre as verbas que sempre são anunciadas por deputados e vereadores, principalmente as vésperas das Eleições. Uma delas de R$2 milhões anunciadas pelo ex-senador Clésio Andrade.  Quando ela assumiu o cargo haviam três emendas aprovadas para o Hospital São Francisco de Assis para serem aplicadas na compra de equipamentos, computadores e atender o Centro Cirúrgico. Elas estão aprovadas, porém, por falta da Certidão Negativa de Débitos (CND) elas ainda não se concretizaram. No momento não se recordou dos nomes dos deputados que teriam disponibilizado as emendas, mas que desde setembro, não foi informada de que alguém teria atuado e concretizado ações políticas para que a entidade recebesse dinheiro.

Em seguida, Vitor Bárbara (PDT), lamentou que políticos, inclusive vereadores tem anunciado verbas e recursos para ajudar a Santa Casa, que não são concretizadas, acabam criando expectativa na população que chegam a afirmar que o Hospital é um ‘saco sem fundo’. “A gente precisa tomar cuidado ao anunciar isto, porque a população nos cobra e fala que ouviu dizer do dinheiro e a gente fica sem saber o que responder”, acrescentou.

O vereador Francisco Botrel Azarias (PT), expressou a preocupação quanto a falta de um neurocirurgião e o que tem sido feito. Para estes casos, na rede de urgência a referência é Varginha. Apesar disso, cerca de 5 profissionais desta área consultados, não acharam interessantes ficarem de plantão. Além da questão financeira, permanecer 30 dias consecutivos de plantão, dia e noite, é algo desumano. Para isto deveria ser mais de um profissional e  esta especialidade é difícil no mercado.

Quando os pacientes que necessitam dos cuidados de neuro, eles são internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Sendo que os médicos que estão de plantão, recebem orientações por telemedicina, até que se consiga a vaga para transferência através do SUS Fácil. De qualquer forma, a Santa Casa continua procurando neurocirurgião e a expectativa é de que possa dar certo o mais rápido possível.

Sobre a denúncia feita por Antônio do Lázaro, foi o vereador Sérgio Silva quem acabou perguntando diante do silêncio do colega de bancada. Mesmo desconsiderando a carta anônima, ele perguntou se é verdade que Keila estaria maltratando os funcionários.

A administradora se reservou ao direito de não respondeu, uma vez que também reconhece como ilegítima uma carta apócrifa e, além disso, valoriza os fatos comprovados, “ o olho no olho “ e quem a conhece sabe que isto não existe. Ela procura tratar a todos com educação, sem distinção e por várias vezes destacou a importância e capacidade dos funcionários da Santa Casa. “Continuo trabalhando da mesma maneira, sou uma pessoa exigente, gosto de profissionalismo e comprometimento, mas sei se um dia eu sair da Administração sairei de cabeça erguida, amiga de todos e com a certeza de que dei o melhor de mim”, enfatizou Keila Lima.

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