Fotos: Cocatrel e Equipe Positiva

Cocatrel realizou encontro exclusivo às mulheres e debateu o crescimento delas no agronegócio

Elas deixaram de ser coadjuvantes ou aquelas que apenas acompanhavam as decisões que seus maridos tomavam na propriedade cafeeira. Elas são formadoras de opinião, estão conquistando cada vez mais seu espaço no mercado de trabalho, seja no comando ou gerenciamentos das fazendas e sítios. Enfim, elas estão tomando as rédeas e sendo decisivas nos negócios da família.

Na sexta-feira (15), cerca de 120 delas participaram do II Encontro das Mulheres do Café, realizado no auditório da Cocatrel. O evento este ano, teve um gostinho todo especial, pois a cooperativa conta agora, com um grupo formado por cooperadas, o Cafeína Cocatrel, que foi lançado para trazer às mulheres, guerreiras e formadoras de opinião, para estarem mais próximas da cooperativa, compartilhando ideias, boas práticas e ajudando a pensar e a construir a Cocatrel.

Em uma breve apresentação, a jornalista da Cocatrel, Ana Luisa Leite, falou sobre a cooperativa e também sobre o grupo Cafeína, formado por suas cooperadas, que atualmente somam 21% do quadro social da cooperativa, com o objetivo da troca de informações, conhecimento, capacitação e maior aproximação da gestão da Cocatrel.

Além disso, o diretor técnico industrial da Cocatrel, Francisco de Paula Vitor Miranda, entregou o prêmio de “Cafeicultora Inspiração do Ano” à cooperada Giovanna Amaral  Carvalho Benassi, que com uma história de muitos desafios, motivou todas as mulheres presentes no encontro.

Dona de casa dedicada, ela era bem feliz cuidando e educando suas três filhas, Brenda, Amanda e Fernanda, sempre contando com a ajuda e o suporte do marido, Alfredo Benassi, que tinha na cafeicultura, a principal renda da família. Na verdade, nunca tinha se interessado por nada desses assuntos do campo, da fazenda ou do café. Mas, no ano de 2004, seu marido sofreu infarto fulminante e repentino e acabou falecendo.

Daí para frente, ela teve que assumir o desafio de sustentar e crias suas filhas. Mergulhou no mundo café até se apaixonar pelo campo e pela cafeicultura. Hoje, Brenda é médica, Amanda é psicóloga e a caçula, Fernanda em breve será uma arquiteta.

Na programação, a jornalista Mariana Proença (foto), que é pós graduada em gestão empreendedora, é diretora de conteúdo da Café Editora e curadora da Semana Internacional do Café, falou da trajetória das mulheres no café.  O grande desafio na visão dela, é fazer a diferença em um setor predominantemente masculino. Elas começaram a aparecer com suas opiniões, no agronegócio, não apenas com a presença, mas com uma participação relevante no mercado, que agrega. A mulher deixou de ser coadjuvante e caminhado lado a lado do marido, como empresária, empreendedora no campo e gestora dos negócios. “A gente tem um olhar diferente, trazer uma opinião divergente do que já era feito e contribui”, afirmou Mariana.

As mulheres vem se destacando de sobremaneira na produção de cafés especiais. Seu perfil detalhista e sua versatilidade no trabalho favorece a qualidade exigida no café. Além disso, o produtor ou produtora não fica mais apenas dentro da propriedade, ele precisa sair e se conectar com um mundo.

Cintia Matos, (foto) presidente da Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA), que trouxe para o ciclo de palestras informação sobre as ações da IWCA e motivando ainda mais as mulheres com a palestra: Mulher em Ação e Reação. Ela elogiou a iniciativa da Cocatrel que com este evento está cumprindo com os setes princípios cooperativista, que é o interesse pela comunidade, pela capacitação de seus cooperados. “A Cocatrel mostra à estas mulheres que juntas elas são mais fortes. Em todo o Estado, e fora dele existe grupos de cafeína como o Cafeína- no norte do Paraná, Rondônia, nas montanhas do Espírito Santo, na  Bahia, Noroeste Fluminense. Quando perguntado sobre resistência, Cíntia disse que ela existe em todo os setores.

Palestrante do II Encontro das Mulheres do Café da Cocatrel

Aline Teixera, cooperada da Cocatrel que reside há anos na Austrália e que, que no clima de um bate-papo bem descontraído e motivador, falou sobre a importância de uma boa gestão, gerenciamento da produção e sucessão na cafeicultura. A diretora presidente da AMECAFÉ Mantiqueira, Iraci de Fátima Carvalho, que trouxe consigo mais de 40 mulheres da AMECAFÉ para assistirem ao ciclo de palestras. Iraci, que é produtora e formada em Geografia, falou sobre o tema: Mulheres e Negócios.

Paula Magalhães da Fazenda Recanto, formada em Comércio Exterior, Q-grader e parte da 5ª geração da família, na fazenda, deu seu relato sobre sua experiência e os resultados que obteve por lá.

A professora, jornalista e socióloga Isabelle Anchieta e a produtora rural Mariselma Sabbag serão as responsáveis por unir as mulheres da região (produtoras rurais, trabalhadoras rurais, qgraders, baristas, donas de cafeterias, dentre outras ligadas ao café, com o objetivo de fortalecer o contato entre elas, trocar experiências, oferecer capacitações e oportunidades de negócio.

O resultado desse segundo encontro superou as expectativas dos participantes e garantiu espaço para debates e boas colocações envolvendo as mulheres na cadeia do café, deixando um gostinho de quero mais. O próximo evento do grupo Cafeína Cocatrel deverá acontecer em maio, em Três Pontas, durante a maior feira do agronegócio café, a Expocafé.

Auditório lotado durante as palestras e bate papo com as especialistas
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