Por Loui Jordan

Em um ambiente social cada vez mais aflito e ao mesmo tempo anestesiado, como e onde o marketing teria “vida”? Talvez em diversos livros, dicionários e em pesquisas digitais, você encontre o significado, o conceito que é muito divulgado é de que o marketing tem a capacidade de criar e disponibilizar valores em produtos para suprir as demandas do mercado consumidor.

Um modelo que tem feito sucesso no mundo empresarial é o Inbound Marketing. Este é um tipo de marketing diferente do tradicional. O Inbound visa educar o cliente, criar uma relação diferente e mais permissiva. O formato tem por “cartilha”, o foco no conteúdo, na comunicação e principalmente em como buscar soluções para os desejos dos compradores de plantão.

Ora, para isso deve ser avaliado o estilo de cada um, são feitas várias pesquisas sobre as características e as buscas dos consumidores. A título de exemplo, o Outbound Marketing (tradicional) tem por função a abordagem um pouco mais “agressiva” e muito condicionada ao setor de vendas. Tanto um quanto o outro são eficazes se forem bem utilizados e, claro, com estratégia. O ponto de reflexão que pretendo propor sobre o Marketing é a origem ou os motivos pelos quais ele é, muitas vezes, uma ferramenta de persuasão.

Não se trata de necessariamente de uma dialética marxista ou tentativa de propagar o lado “escuro” do marketing. Trata-se apenas de buscar uma correlação entre o marketing e o mundo contemporâneo. É absolutamente genuíno as pessoas ou empresas aderirem ao mecanismo do marketing, não existe nenhum problema nisso democraticamente dizendo, a crítica está no DNA. A hipótese filosófica que o marketing seja ele oriundo de quaisquer ideias, vende significado para o enfado e vazio da vida humana, é pertinente.

O ser humano é considerado por alguns estudiosos, um animal triste, sozinho e frágil. Filósofos como Nietzsche e Blaise Pascal, foram sempre atentos a isso, analisando inclusive o tédio e a tática do divertimento. Tendo isso em observação, é propício pensar que estamos todos sendo de uma forma ou de outra “adestrados” ao consumo insano, isto é, o mercado consumidor de certa forma estimula o consumismo sem haver à saciedade.

Quando um produto é vendido, não é apenas a mercadoria que é obtida pelo comprador. A propaganda e o marketing conseguem vender conceitos que produzem certas formas de pensar, de se comportar e até de agir. Alguns dirão que o objetivo do marketing é apenas despertar os desejos de cada pessoa, outros irão dizer que essas formas de despertar desejos existem há muitos anos. Pois bem, é importante expor que assim como as propagandas, o marketing possui seu valor e gera um considerável nível de ideias e é uma grande oportunidade de testar suas capacidades criativas e tal. O problema é quando o marketing cria o desejo, você sabe, todos possuímos desejos por diversas coisas, sempre tentamos ou procuramos as possibilidades de realizá-los.

Seja qual for o formato, tanto o tradicional quanto o inbound, possui em suas raízes prerrogativas que devem ser sempre respeitadas e assim como elas, aproveitam também de dispositivos que instigam o consumidor a se tornar dono de uma ideia. Um protótipo desse exemplo seria os slogans sobre o “padrão” de beleza, os comerciais de automóveis, de cerveja e assim por diante. A complexidade em torno da beleza é antiga, mas é no mínimo presunçoso acreditar que exista um padrão de beleza que dita como o seu corpo e seus contornos devem ser. Muitas vezes vista e sentida como uma espécie de “ditadura” da beleza, esses tais aspectos são em diversas oportunidades propagadas pela mídia, indústria cultural, marketing, propagandas e o pior, a difusão alarmante desses significados que danificam muitas vezes a sociedade, são reforçados pela própria.

Vive-se em uma “edição” do mundo onde as pessoas estão extremamente conectadas e ao mesmo tempo sozinhas, evidentemente sem generalizar. Ninguém é dono da razão, pelo menos desde que prove. O ponto positivo é que essas formas novas de fazer marketing, facilitam a vida de muita gente e isso merece ser dito, não se pretende fazer uma campanha contra o marketing, ele muitas vezes se faz útil. Um discurso polissêmico como a tentativa deste, é sempre proveitoso para repartir as ideias e pensar, tanto inbound quanto outbound são propostas que são e serão utilizadas das melhores formas possíveis, é importante mais do que ostentar o conteúdo ou o jeito de negociar mais tradicional e prospectivo, usufruir da responsabilidade social.

Enfim, não que eles (inbound e outbound) não tenham responsabilidades, não é de zelo pelo cliente que se trata e sim a percepção de que construir conceitos sejam eles simbólicos ou não, é perigoso. Os arquétipos desejados são lapidados por todo lado, é digno sim vender produtos e ganhar o seu dinheiro, no entanto se permitir a reflexões acerca do campo social e da vaidade humana, é de suma importância. Deve ser maravilhoso a sensação de ter alguém buscando e procurando o serviço que você brilhantemente faz, assim como acontece no inbound marketing, o que é discutível, é a forma perene como o marketing algumas vezes torna a vida social e privada das pessoas condicionadas a um modelo dominador das consciências e desejos de carne e osso.

 

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