Uma chuva forte que caiu em Três Pontas entre a noite de sábado (05) e a madrugada deste domingo (06), causou prejuízo e transtornos, no bairro Esperança. Pluviômetros que medem o volume da água que caiu mostram que a chuva foi muito intensa, chegando a atingir 129 milímetros na cidade e até 160 na zona rural. Felizmente ninguém se feriu e os danos foram apenas materiais.

O local que mais foi atingido foi o hotel Café Palace, que fica na Rua José Murad. A falta de rede pluvial nos bairros que ficam acima, fez com que a água acompanhada de muita lama descesse, invadisse o estabelecimento e inundasse o térreo onde fica o restaurante e o primeiro andar do prédio. Quinze apartamentos ficaram debaixo d’água que danificou camas, colchões, roupas de cama, aparelhos de TV, frigobar, móveis e aparelhos eletroeletrônicos. Estava saindo lama até dos aparelhos de ar condicionado, que estão instalados nas paredes dos quartos.

A chuva estava tão forte que atravessou o hotel, carregou tudo que estava pela frente e derrubou o muro, o que ajudou a escoar a água. Uma passarela usada pelos hóspedes parecia um rio, como mostra um vídeo postado em uma rede social. A água veio acampanhada de lama, galhos de árvores, madeira, matacão e muita sujeira.

Larissa Murad dona do hotel diz que prejuízo é de cerca de R$500 mil

A proprietária do hotel Larissa Murad Velloso contou que recebeu a ligação do recepcionista por volta das 23 horas, apavorado,  informando que o hotel estava sendo alagado. Ela foi para o local e não acreditou no que estava vendo. De acordo com a empresária, o problema foi a água que desceu do Aeroporto, do bairro Santana e da região onde ficam as indústrias. A rede pluvial da rua não foi suficiente, a água assou pelo asfalto novo e inundou seu empreendimento. Ela contou com apoio de amigos e de todos os funcionários para fazer uma limpeza geral no hotel e para atender os demais hospedes.

Desolada por ver seu maior patrimônio, fruto de muitos anos de trabalho danificado, Larissa não esperava encerrar 2020, ano completamente atípico por causa da pandemia da Covid-19 desta forma. O setor hoteleiro foi um dos mais prejudicados e que amarga um ano com prejuízos, mas agora é arregaçar as mangas e começar do zero novamente. “Não fosse todos os problemas que estamos enfrentando, tivemos aqui este problema maior, por um motivo que não é nosso, uma obra que acho que não foi bem preparada”, opinou Larissa. Antes mesmo de fazer um balanço exato do prejuízo que teve, ela calcula em cerca de R$500 mil.

Joel disse que estava trabalhando quando a esposa ligou dizendo que a casa estava sendo inundada

Outro imóvel atingido foi a residência de Joel Vitor Scheibel, que fica ao lado do hotel. Ele estava trabalhando quando a esposa ligou dizendo que tudo estava sendo inundado. Joel que trabalha em um restaurante, já estava a caminho de casa, quando ela lhe deu a notícia que o muro havia desabado. Na casa dele, a água passou por debaixo do portão, atingiu o térreo onde funciona uma área de lazer, derrubou o muro e deixou muita sujeira.

Recepção do hotel sendo limpa por funcionários e amigos. Fotos: Equipe Positiva

Prefeitura monta força tarefa para apoiar atingidos

Vários secretários municipais foram ao local da inundação, principalmente o secretário de Transportes e Obras Maquil dos Santos. Na noite de sábado, ele foi chamado e quando chegou viu que o problema era bem maior do que imaginava e já acionou equipes dos caminhões pipa e caçamba para iniciar a limpeza. O uso de máquinas e caminhões da Prefeitura foi ampliado na manhã de domingo, inclusive com funcionários do Saae. O trabalho foi focado na limpeza externa e interna do hotel e da casa, mesmo porque, segundo Maquil, os moradores não conseguem fazer isto sozinho, dado ao volume de terra que desceu. “Nós só iremos sair daqui, quando estiver tudo limpo. Estamos fazendo tudo aquilo que está no nosso alcance”, garantiu Maquil.

Secretário de Obras Maquil dos Santos diz que a equipe está dando todo apoio aos atingidos

O secretário explica que o problema foi causado pela falta de rede pluvial na região do bairro Santana, inclusive onde estão as indústrias. Sem ela, a água toda acumulou na Rua Caio de Brito, entrou nos terrenos vazios e foi desaguar na Rua José Murad. Ele esclarece que antes do asfaltamento desta via foi feito o sistema pluvial que funcionou bem. Mas a pancada de chuva, em muito pouco tempo, fez com que as caixas ‘secas’ que são enormes, no total de 7, também transbordassem.

A Secretaria de Obras vai estudar fazer a ampliação da rede pluvial neste local, para evitar que tanta água chegue outras vezes.

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