Foto: Hécio Rafael

 

O dia 23 de setembro chegou sem aquele movimento de romeiros chegando em Três Pontas. A cidade amanheceu em silêncio, sem ouvir antes do sol nascer, a Corporação centenária Luis Antônio Ribeiro, que se apresenta a mais de 100 anos. Este ano, o grupo gravou um vídeo e postou no momento que deveriam estar abrindo as comemorações do Dia de Padre Victor.

Sem os romeiros chegando a pé, a  cavalo ou em romarias, sem o movimento da multidão de voluntários que todos os anos fazem questão de formar um batalhão do bem, para receber bem aqueles que aportam na terra de Padre Victor para pedir e agradecer bênçãos e graças. Não houve a peregrinação para ir até o túmulo, a ida até a Mina para buscar da água que cai ininterruptamente no bairro Vila Marilena, sem os vendedores ambulantes que formam a feirinha com suas ofertas.

Situação que os trespontanos tiveram que se habituar, pois desde 14 de setembro, início da novena, sem a trilha das virtudes e trolada na Paróquia nossa Senhora das Graças. Sem a romaria dos cavaleiros organizada pela Paróquia D’Aparecida e sem a tradicional procissão até a Capela Santa Cruz na comunidade rural da Faxina. Tudo diferente por causa de uma pandemia da Covid-19 que mudou o mundo e se espera que mude o sentimento das pessoas e o valor à vida. Sem poder receber visita, Três Pontas fechou suas entradas criando barreiras sanitárias, monitorando a entrada de pessoas a pé e em veículos.

As recomendações foram propagadas assim como em outras festas religiosas, com um pedido que não se espera ser feito outra vez. Não venham a Três Pontas, rezem de casa. É que as celebrações religiosas foram todas transmitidas pelas plataformas digitais. Elas nunca tiveram tanta importância como atualmente. São muito utilizadas pelas pessoas para contactar as pessoas e nesta Festa do Padre Victor, onde o número de pessoas esteve limitado dentro da Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, as redes sociais serviram para fazer um elo das pessoas com Deus.

Durante a celebração presidida de manhã, o bispo da Diocese da Campanha, Dom Pedro Cunha Cruz, refletiu durante a homilia, que Padre Victor deixou um legado que ainda está presente entre o povo, foi um sacerdote que viveu sua vocação cristã, foi a luz da palavra em seu ministério sacerdotal por mais de 50 anos em Três Pontas.

Dom Pedro falou que viu postagem feitas nas redes sociais, por pessoas de várias partes de Minas Gerais e do Brasil, que estariam na cidade, em tradicionais romarias e até em peregrinação, à Matriz D’Ajuda onde estão os restos mortais do Beato. Ele reforçou que os devotos estão em comunhão e a presença espiritual que muito o alegra, renova a esperança, neste tempo em que o mundo foi acometido por um inimigo invisível que distanciou as pessoas fisicamente, provocou uma festa diferente, mas com a mesma intensidade espiritual e devocional, que não pode faltar. Vencer a pandemia com saúde, é tudo o que se espera e foi suplicado pela grande maioria dos devotos ao Anjo Tutelar.

Em seguida a missa, uma enorme carreata percorreu 20 quilômetros de 73 trechos de ruas e avenidas, passou de frente a todas as capelas e igrejas das comunidades urbanas das três paróquias – Nossa Senhora D’Ajuda, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Graças. No trajeto, altares, imagens, flores e bandeiras, em demonstração da devoção. O céu cinzento escondeu o sol da alegria, dando lugar ao desejo de que ano que vem estejamos juntos e bem. Ao verem a relíquia nas mãos do Cônego Douglas Baroni e a imagem toda rodeada por flores doadas por devotos, muita gente chorou e se emocionou. Seguindo o exemplo de caridade, os moradores doaram alimentos para a Pastoral Social, que serão destinados às famílias carentes cadastradas na Paróquia. O percurso foi concluído em frente a Matriz, onde o sacerdote e paróco, agradeceu o apoio dos voluntários e deu as bençãos para quem assistia a transmissão e à aqueles que estavam presentes na Praça Cônego Victor.

Ao longo do dia, a igreja ficou aberta, mas bem vazia, longe daquela multidão que disputava espaço para as orações. Fechou as portas as 17:00 horas para sanitização e reabriu duas horas depois para concluir oficialmente a festa. Na pregação da última missa solene, o celebrante Cônego Douglas, disse que todos podem ser agraciados por um milagre, que é silencioso e sereno. Padre Victor precisa de um novo milagre, reconhecido pela igreja, para que ele seja canonizado.

 

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