Reportagem e fotos: Denis Pereira - Equipe Positiva

Ao todo, 167 empresas deixaram as fábricas e suas sedes, para instalarem estandes em Três Pontas e expor suas marcas. A Fazenda Experimental da Epamig, que fica localizada na MG 167, entre Três Pontas e Santana da Vargem é o local de atenção de cafeicultores e estudantes em busca de tecnologia, as novidades em maquinários, equipamentos e insumos, para diminuir os gastos na lavoura e aprimorar a produção.  

A 22ª edição da Expocafé 2019 foi aberta oficialmente nesta quarta-feira (15), em uma cerimônia com a presença de autoridades políticas e do setor cafeeiro. Um dia antes, o Simpósio de Mecanização da Lavoura Cafeeira, que chegou a 10ª edição, reuniu professores, pesquisadores, técnicos e cafeicultores de Minas Gerais e de outros estados. Em pauta, modos de mecanização das lavouras cafeeiras com foco na redução de cursos, mas sem perder a produtividade.

Em meio a uma crise que derrubou o preço das sacas de café no Brasil, o evento organizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e pela Epamig, atraiu muita gente e alcançou seu objetivo: realizar intercâmbios entre produtores e pesquisadores de todo o país. Foram sete apresentações de pesquisadores atentos a temas como controle operacional, gestão técnica, inovações no manejo e alternativas sustentáveis para a redução de custos.

O Sul de Minas é considerado um dos principais polos produtores de café do Brasil. O Simpósio de Mecanização Cafeeira consolida e contribui com esse status. “Uma revolução na cafeicultura brasileira”, celebra o coordenador do evento Fábio Moreira.

O deputado Mário Caixa, o prefeito Marcelo Chaves, o governador em exercício Paulo Brant e a secretária de Agricultura Ana Maria

A Expocafé voltou a receber este ano, a presença de políticos do Estado de Minas Gerais, como o governador em exercício Paulo Brant e a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Ana Maria Soares Valentini. Eles chegaram juntos com o presidente em exercício da Epamig Trazilbo de Paula, o deputado estadual Mário Henrique Caixa (PV), o prefeito de Três Pontas Marcelo Chaves Garcia (MDB), o presidente da Cocatrel Marco Valério Araújo Brito e o Relações Institucionais da Ufla, professor Antônio Nazareno Guimarães Mendes.

As autoridades discursaram. Defenderam a cafeicultura, não apenas como tradição de família, mas realçaram o produto que é a força motriz da economia do Sul de Minas. O café é um dos maiores responsáveis pela geração de empregos e renda na região. A mecanização começou a ser conhecida depois de um Dia de Campo realizado em uma fazenda em Santana da Vargem com a participação de empresas convidadas. Em 1998 na Fazenda São Sebastião, teve início a Expocafé, organizada pela Universidade Federal de Lavras (Ufla). A partir de 2010, a responsabilidade pela organização passou para a Epamig, vinculada a Secretaria de Agricultura, mas ainda conta com o apoio da Ufla e também da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater – MG), da Prefeitura de Três Pontas, da Cooperativa dos Cafeicultores de Três Pontas (Cocatrel), e do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (Consórcio Pesquisa Café). O mais importante, conta o professor Nazareno, que acompanhou o crescimento do evento, é que o avanço da tecnologia usada nas lavouras passou e passa pela Expocafé e ela é fundamental da pré a pós colheita. “Não fosse isto, a cafeicultura estaria quebrada”, alertou.

O presidente da Cocatrel Marco Valério Araújo Brito em seu pronunciamento, focou que o papel da Cocatrel e de todas as cooperativas em um momento como este, do mercado de café em baixa e com preços bem abaixo do desejado, é encontrar soluções que proporcionem segurança e tranquilidade para os cafeicultores e, é isso que a Cocatrel tem feito incessantemente. Na semana passada, Marco Valério se reuniu com a secretária de Agricultura de Minas Gerais Ana Maria, onde eles discutiram juntos políticas cafeeiras. A cooperativa tem buscado parcerias e procurado ouvir as demandas dos cooperados para traçar as melhores estratégias e garantir, dessa maneiras, preços justos nas comercializações e alternativas em soluções financeiras.

Especificamente sobre a Expocafé, o presidente agradeceu a Universidade Federal de Lavras, pela cessão da marca Expocafé, que agora passa a ser uma marca Cocatrel. Isto fortalece ainda mais a parceria público privada, deixando a feira mais consistente e com grandes perspectivas de crescimento.

“Estamos extremamente felizes com essa cessão de marca. Sabemos que a Expocafé é uma feira que dissemina conhecimento e traz a academia e as inovações para dentro do universo da cafeicultura. Portanto, todos ganham com a parceria púbico privada, sobretudo o produtor. Podemos avançar ainda mais em nossos projetos, garantindo sua sucessão e perpetuando esse belo legado”,  declarou Marco Valério.

O presidente em exercício da Epamig, Trazilbo de Paula Júnior, afirmou que a Expocafé mostra e valoriza a tecnologia. O balanço social da Epamig, revelou muito claramente que algumas tecnologias que foram estudadas nos últimos anos, já demonstraram um retorno para a sociedade pelo menos de 10 vezes do que é aplicado na empresa. “A sociedade está ávida por tecnologia. Os produtores estão buscando e reconhecendo a importância que o setor público tem para repassar as tecnologias ao produtor”, enfatizou Trazilbo. A Epamig vem disponibilizando aos produtores do Estado, diversas tecnologias na cultura do café. Destaque para as variedades, que estão sendo demonstradas no Campo Experimental nas dinâmicas de campo, as diversas variedades que a Epamig tem desenvolvido, com resistência a seca, possibilitando o avanço da agricultura. Há variedades com resistência a pragas e as doenças, minimizando a aplicação de defensivos e tornando mais racional a cafeicultura.

Na visão da secretária de Agricultura de Minas Gerais, Ana Maria Valentini, é preciso trabalhar, ainda mais neste momento de baixa nos preços do produto. Na crise é necessário buscar instrumentos, para que no próximo ciclo de produção, o setor esteja mais preparado para enfrentá-la com mais tranquilidade. O caminho para isto, é buscar a produtividade. Já em relação ao preço e as políticas públicas para o produto, a Secretaria de Estado já colocou o Ministério, a par da situação que a cafeicultura enfrenta, já que esta é uma prerrogativa do Governo Federal, que tem o poder de comercialização e controle de preços. “Vamos juntamente e com o apoio da nossa bancada federal, levar ao Governo Federal estas demandas e buscar instrumentos que possam nos ajudar nesse momento difícil”, disse Ana.

O prefeito de Três Pontas Marcelo Chaves registrou que assim como os municípios, a cafeicultura enfrenta momento de crise. Defendeu o enfrentamento da crise, com um trabalho de parcerias. Assim, citou o apoio dos deputados Mário Caixa e Diego Andrade, parceiros de primeira hora do município, que além de abrir portas nas esferas estadual e federal, tem disponibilizado recursos fundamentais para serem investidos a favor da população.

Por último falou o governador em exercício Paulo Brant (foto). Ele retorna à cidade onde tem uma enorme relação afetiva, graças a sua relação com Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Desta vez, Brant veio participar da Expocafé, que na análise dele, evoca fatos importantes. Minas Gerais produz em quantidade e qualidade cerca de 30 milhões de sacas de café. A feira suscita pontos que são fundamentais na própria estratégia de desenvolvimento do Estado. Ela apresenta ciência, tecnologia e pesquisa.

Em Minas são segundo Brant, praticamente 450 municípios que produzem café, ou seja, uma riqueza que se espalha pelo território mineiro, no Sul de Minas, Alto Paranaíba, Zona da Mata e Triângulo Mineiro, um valor enorme dentro da política de desenvolvimento do Estado. Quando perguntado pela Equipe Positiva durante entrevista coletiva, qual é a maior dificuldade que o governo está enfrentando no setor da agricultura, o governador em exercício respondeu que é a questão financeira. “Herdamos uma crise muito grave e estamos tentando equacionar. No caso da agricultura não é problema, a agricultura é a solução. É a agricultura que vai gerar empregos, tributos, renda e riqueza”, destacou Paulo Brant.

Tenda de eventos da Expocafé ficou cheia durante a abertura oficial nesta quarta-feira

Feira cheia de novidades

A novidade desta edição da Expocafé é o 1º Simpósio Brasileiro de Cafeicultura Sustentável, pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), em parceria com a Epamig que acontece nesta quarta e quinta-feira. Destinado a participantes previamente inscritos, o simpósio conta com abordagens de temas referentes à sustentabilidade da atividade. A palestra “Controle Biológico de Doenças de Plantas’’ terá como debatedora a pesquisadora da Epamig de Lavras, Sara Chalfoun, que vai falar sobre a oportunidade da inserção do controle biológico de pragas, doenças e fungos na cafeicultura.

Outra novidade é a apresentação do protótipo de fornalha à lenha para secagem do café, que tem como diferencial a queima dos gases que compõem a fumaça, apresentando maior eficiência energética e com maior intervalo de reposição de lenha na câmara de combustão do que as fornalhas atualmente disponibilizadas no mercado, o que faz com que a qualidade do café e a saúde dos trabalhadores não sejam comprometidas.

A Cocatrel trouxe a Hackathon é uma maratona de hackers que acontece durante todos os dias da Expocafé, com o objetivo de apoiar o surgimento de novas tecnologias e soluções para o setor cafeeiro. Destinado para quem tem conhecimentos avançados na área de tecnologia da Informação (TI) e adora grandes desafios. Realizada juntamente com o InovaHub/UFLA, situado na Universidade Federal de Lavras, e com o Avança Café, o Programa de Pré-Aceleração de startups do café, criado em parceria com a Embrapa Café, UFLA e UFV, é a primeira Hackathon específica para a área do agronegócio café. As equipes inscritas na competição, são apoiadas por mentores, que exploram dados, discutem novas ideias e desenvolvem projetos de software que podem impactar a cadeia produtiva do café, tornando-a mais competitiva, sustentável e eficiente.

A equipe vencedora receberá um prêmio de R$ 5 mil, e o melhor: terá a chance de transformar-se em uma startup e ser contratada pela Cocatrel, além de levar sua solução para continuar sendo desenvolvida no Avança Café Lavras.

Outra novidade que será apresentada nesta quinta-feira (16), será o protótipo de fornalha à lenha para secagem do café, que tem como diferencial a queima dos gases que compõem a fumaça, apresentando maior eficiência energética e com maior intervalo de reposição de lenha na câmara de combustão que as fornalhas atualmente disponibilizadas no mercado, o que faz com que a qualidade do café e a saúde dos trabalhadores não sejam comprometidas. O protótipo, construído em aço inox, é mais resistente às altas temperaturas.

Durante a feira, no estande da Epamig, além de degustar cafés das variedades Catiguá MG 2, Aranãs e MGS Paraíso 2, os visitantes participam de plantões técnicos sobre controle de pragas e doenças no cafeeiro. Nesta quarta e quinta-feira, no Parque Cafeeiro do Campo Experimental da Epamig, serão realizadas as dinâmicas de máquinas. Oportunidade para os cafeicultores obterem dicas técnicas de pesquisadores e extensionistas e de conhecerem na prática o funcionamento de equipamentos para a lavoura cafeeira, demonstrados pelos próprios fabricantes e/ou fornecedores. A empresa contará com duas estações de campo, que vão abordar o descascamento do café verde e a cultivar Paraíso H419-1, resistência à ferrugem e o histórico da produtividade.

A expectativa é que cerca de 15 mil pessoas passem pela feira durante os três dias, gerando R$ 200 milhões em negócios. A Expocafé funciona de 8:00 as 18:00 e a entrada é gratuita. Local: Campo Experimental da EPAMIG em Três Pontas – Rodovia Três Pontas/Santana da Vargem, km 06 – Zona Rural.

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