Fotos créditos: Denis Pereira - Equipe Positiva

 

Reportagem
Denis Pereira – A Voz da Notícia

Milhares de romeiros vindos de diversas localidades do Brasil, visitaram Três Pontas neste fim de semana por conta do aniversário de morte do Beato Padre Victor. O sacerdote que viveu 53 anos em Três Pontas, ganhou fama de santidade e tem atribuído a ele muitos milagres.

Nesta segunda-feira, dia 23 de setembro, dia que se comemorou os 114 anos de morte do sacerdote, as missas começaram a ser celebradas na Matriz Nossa Senhora D’Ajuda ainda era de madrugada. O primeiro horário foi as 3:30 e quem chegava a pé, já encontrava a igreja com muita gente. Eles aproveitaram para descansar depois de horas de caminhada nas rodovias de acesso a cidade. Por volta das 20:00 horas, a Equipe Positiva registrou um grande número de peregrinos na MG 167, entre Três Pontas e Santana da Vargem, caminhando em grupos. Eles utilizavam um adesivo refletor na roupa para ajudar a identificação deles pelos motoristas. A maioria deles, trespontanos, que saíram de casa a tardezinha foram até a cidade vizinha e retornavam para cumprir um compromisso com a fé no Beato Padre Victor. Muitos para agradecer por graças alcançadas. Encontramos um rapaz que empurrava um carrinho de bebê com o filho dentro.

No Ponto de Apoio e de Evangelização, trabalham Tristão Nogueira, Luis Henrique Dias, Maria Aparecida Lima, Conceição Flauzina de Paula e Maria de Lurdes Simião. Eles serviram cachorro quente, pão com manteiga, café, leite e água fresquinha. Puderam usar sanitários e levar a oração do Beato Padre Victor.

Maria Aparecida que é voluntária neste serviço há 20 anos, contou que este ano, quem passou pela barraca assinou uma lista para que eles possam computar quantas pessoas são atendidas. Ela garante que são muitas pessoas, mas não sabe o número exato.

Os ciclistas Yuri e Mateus

O comerciante Yuri Miranda de 27 anos estava acompanhado do amigo Mateus Ribeiro de 29 que é empreendedor. Os ciclistas andam de bicicleta a 10 anos, mais esta foi a primeira vez que eles pegaram a rodovia a noite na véspera do Dia de Padre Victor. Eles pararam rapidamente para encher seus squeezes e seguir o trajeto.

A procissão para a Capela Santa Cruz, na comunidade rural da Faxina, como todos os anos levou uma multidão de peregrinos que fazem o trajeto a pé. O bispo emérito da Diocese da Campanha, Dom Diamantino Prata de Carvalho refaz o trajeto todos os anos, rezando junto com o pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, padre André Rodrigues Vilas Boas e depois celebrando a missa ao ar livre.

Fotos: Hécio Rafael

Na Praça Cônego Victor, antes do dia amanhecer a Corporação Musical Luiz Antônio Ribeiro repetiu uma tradição centenária. A Alvorada Festiva foi feita no intervalo das missas das 3:30 e 5:00 da manhã. O maestro é Wander Scalioni e que começou como músico no Dia do Padre Victor em 1999 e como maestro desde o ano 2009.

Como a banda tem supostamente mais de 130 anos, supostamente esteve presente no enterro de Padre Victor, em 23 de setembro de 1905, o que aumenta segundo o músico, ainda mais a responsabilidade de estar presente neste dia especial em respeito ao beato. “Se Deus quiser estaremos presentes por muitos e muitos anos”, disse Wander Scalioni.

Enquanto eles tocavam, o Cônego Sérgio Monteiro, Reitor do Seminário de Pouso Alegre, cordialmente fazia orações para os devotos e abençoava pertences pessoais de romeiros que chegavam na cidade.

A medida que o dia amanhecia, o movimento aumentava na praça. Congadas, folias de reis e romeiros vindos de perto e de longe, a grande maioria que faz a viagem todos os anos permanecia em torno da Igreja Matriz D’Ajuda. Voluntários colheram relatos dos fiéis para ajudar no processo de canonização de Padre Victor. É necessário que uma cura que não tenha explicação científica, ou seja, um milagre seja reconhecido pela Causa dos Santos para que ele se torne Santo da Igreja Católica.

O aposentado ‘Seu’ Ataíde Vicente de Abreu, de 73 anos veio de Paraguaçu 73 anos em uma excursão de 35 pessoas e há 20 anos faz questão de vir no Dia de Padre Victor todos os anos. Ele esperou na fila mais de meia hora para passar alguns minutos de frente ao túmulo do Beato, onde estão seus restos mortais.

Dona Neusa de Fátima Luciano de 62 anos, saiu de Monsenhor Paulo, para rezar e agradecer a Padre Victor pelas bênçãos que ele tem concedido em sua vida. “Padre Victor é um santo milagroso e há 18 anos faço questão de vir aqui rezar para Ele”, diz Neusa.

O trabalhador rural Ricardo Cristiano Januário, veio de pertinho, de Carmo da Cachoeira, com a esposa e a cunhada. Eles ficaram o dia todo na cidade e passaram por todos os lugares de movimento.

De acordo com voluntários responsáveis pela organização da fila, entre as 6:00 da manhã e as 18:00 horas, 5.500 pessoas passaram pelo túmulo. Na conta que eles fizeram o dia todo, contabilizam 8 pessoas por minuto.

A maioria dos devotos, cumpre primeiro os compromissos religiosos na cidade de Padre Victor. Um deles é no Parque Multi Uso da Mina do Padre Victor, onde no início da tarde o sol estava muito forte e a sombra das árvores foi local preferido. Além de pegar da água para beber e levar para casa, os romeiros aproveitaram para fazer compras na feira. Dona Guiomar Pereira, do Distrito de Palmital, em Carmo da Cachoeira, chegou cedinho. Foi a missa, visitou o túmulo e depois foi ao Parque. Primeiro bebeu da água abençoada e por último fez compras na feira. “Cheguei as 6:00 da manhã em uma excursão de 40 pessoas e faço primeiro cumpro primeiro minhas obrigações com Deus e com Padre Victor”, relata Guiomar, que voltou para casa as 16:00 horas.

Na Praça Cônego Victor, além das viaturas da Polícia Militar, uma Base de Segurança Comunitária (BSC) permaneceu o dia todo estacionada em frente as agências bancária e um caminhão do Corpo de Bombeiros do 9º Batalhão de Varginha.

No Parque Multi Uso, também havia uma viatura do Corpo de Bombeiros e uma BSC da PM do 24º Batalhão da Polícia Militar. Desde o sábado (21), o efetivo da PM foi reforçado com equipes do Batalhão de Varginha e da 6ª Região de Lavras.

A feira que há dois anos foi transferida para o Parque da Mina divide opiniões. Apesar dos corredores largos, os 130 mil metros quadrados se tornou pequeno para tanta gente, que encontra de tudo, de comida a eletrodomésticos. Com o movimento chegam também muitos pedintes que viajam o Brasil inteiro pedindo esmolas.

De acordo com a Associação Padre Victor, a feira vai funcionar até o início da tarde desta quarta-feira (25).

No final da última missa celebrada na Matriz, pelo pároco Cônego José Douglas Baroni, que comandou a Festa de Padre Victor pela primeira vez, pediu desculpas se não foi tão agradável e prometeu ser mais obediente a todos ano que vem.

O sacerdote falou do sentimento de gratidão e fez uma lista de agradecimentos. Começou pelo seu companheiro de sacerdócio na Paróquia, o vigário paroquial padre Ivan. Em seguida a todos os outros padres que estiveram durante a novena preparatória, celebrando e atendendo as confissões com quem teve uma convivência fraterna e saudável na Casa Paroquial, citando especialmente padre Roberto Donizetti, que conduziu as procissões da penitência de manhã durante os nove dias. Às famílias que acolheram os padres e seminaristas em suas residências e, os trespontanos que mantiveram suas orações, doações e gestos de carinhos também tiveram o reconhecimento do pároco.

À Associação Padre Victor que em momento nenhum disse não a ele, e a todos os voluntários que ajudaram a bem celebrar a Festa do Beato Padre Victor, o Cônego deixou sua palavra de gratidão.

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