A promotora de Justiça Ana Gabriela, o assistente social Thiago Oliveira e a secretária de Assistência Social Aparecida Maria Chaves

 

Autoridades, instituições e moradores em torno da Avenida Oswaldo Cruz debateram propostas para solucionar problema antigo, difícil de ser resolvido 

A Secretaria de Assistência Social promoveu uma reunião na tarde de quinta-feira (06), no Auditório da Cocatrel para discutir a questão dos moradores em situação de rua, que há anos vivem no cruzamento das Avenidas Ipiranga com a Oswaldo Cruz, no Centro de Três Pontas.

Profissionais e técnicos de diversos setores da Prefeitura, como do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro de Referência de Assistência Social (Cras), da Secretaria Municipal de Saúde, representantes de entidades que trabalham com moradores em situação de rua e dependentes químicos, comerciantes e moradores que convivem com os problemas causados pela presença deles naquele local a tanto tempo.

A primeira dama e secretária de Assistência Social Aparecida Maria Chaves Garcia (foto) abriu o encontro sem formalidades. Explicou que decidiu reunir os profissionais e moradores para encontrar uma solução conjunta. São poucos os que praticamente fixaram residência naquele local, porém, há mais de 13 anos atuando na Assistência Social, ela admite que todos os gestores tentaram resolver o problema, mas não conseguiram.

Ao longo destes anos, foram feitos abaixo assinados, documento pela Associação Comercial e Agroindustrial pedindo solução. Os próprios moradores gravaram em vídeos, cenas de sexo e violência praticada entre eles.

A permanência na Avenida Oswaldo Cruz começou com apenas um. Aparecida Chaves revelou a trajetória deste e contou que ele é hoje o líder do grupo. Por pelo menos seis vezes, a Secretaria de Assistência Social alugou uma residência para eles ficarem. Eles chegaram a ir e pernoitar alguma noite, mas logo voltam. Quando assumiu a pasta, foi buscar alternativas. Os técnicos que trabalham diretamente com eles foram fazer capacitação em Poços de Caldas. O que é fácil de ser concluído é que eles recebem ajuda e com ela vai permanecendo naquela situação, que para eles se tornaram normal. Apesar de terem família na cidade, deixaram o conforto do lar, o carinho de familiares, e gostam de viver ali, naquelas condições. Mas tem os comerciantes que se solidarizam com eles. Doam papelão, materiais recicláveis, dinheiro e além de pessoas que além de dar esmolas ainda levam comida para eles. Eles estabeleceram uma rotina, sabem de seus direitos e todas as vezes que são abordados fazem questão de lembrar que não estão infringindo leis. A forma com que eles abordam motoristas e pedestres assustam algumas pessoas, principalmente mulheres e idosos.

A discussão foi aberta e os moradores do entorno das avenidas onde eles vivem relataram as situações. Sugeriram diversas ações e atitudes que o poder público pode tomar, na visão deles. Melhorar a iluminação, revitalizar a Avenida, retirar parte da cobertura do córrego, substituir por grades, colocar enfeites natalinos e vasos de flores foram algumas delas.

Piter Vagner da Conceição é fundador da Comunidade Fé com Obras, possui um espaço alugado chamado Cenáculo onde residem 17 pessoas que estavam nas ruas. Lá, eles tem um local digno para morarem a dois anos. Porém, enfrentam todas as dificuldades possíveis, contam apenas com a solidariedade das pessoas para manter a casa aberta. Só de aluguel são R$1,2 mil todo mês, pagos pelos voluntários e pela comunidade. Ele já acompanha esta situação a muito tempo e fez algumas considerações. É preciso ter um albergue para eles ficarem. Tem aqueles que precisam ser internados, mesmo que de forma compulsória.

Marcelo de Paula Lopes é da Casa Pietá, que funcionava no Parque Municipal Vale do Sol. Ele diz que não entende porque foram retirados de lá, onde construíram suas próprias estruturas sem a ajuda do poder público, atendiam diversos dependentes químicos e pessoas que viviam nas ruas. Chegou a ter 23 pessoas. Hoje o local está abandonado e ocioso. A Pietá foi montada em uma propriedade rural entre Três Pontas e Santana da Vargem, atende atualmente quatro chamados por eles de “filhos” graças a bondade de um fazendeiro.

A promotora de justiça Dra. Ana Gabriela Brito Melo Rocha compartilhou da responsabilidade de todos para resolver este problema. Com experiências de outras comarcas, onde as situações eram mais complexas, ela também defendeu uma ação conjunta e compartilhada para alcançar o objetivo. Uma delas é ouvir os próprios moradores em situação de rua. Ela condenou ações sugeridas para espantá-los da Avenida, uma vez que seria migrar o problema para outro local. Sem falar que isto não é uma coisa que vai ser resolvida da noite para dia e nem tudo é caso de polícia e de justiça.

Uma das necessidades é ampliar a equipe que trabalha com estes moradores. Apenas o assistente social do Creas Thiago Oliveira Tavares não é suficiente. É preciso pelo menos um psicólogo atuando junto com ele e até um profissional de saúde. A abordagem precisa ser multidisciplinar por uma equipe que hoje está deficitária. A promotora também defendeu que é preciso superar questões politiqueiras, independente do projeto. Falou que a Prefeitura mantém no seu quadro de servidores muitos contratados em áreas que tem que ser de funcionários efetivos, que prestaram concursos, como é o caso deste setor. Especificamente neste caso, o profissional que atua com eles, ganha a confiança e desenvolvem um trabalho, ao ser substituído por decisão do Poder Executivo ou com a mudança de gestão, o trabalho é todo jogado fora e precisa ser reiniciado novamente.

Sobre as instituições Grupo Fé com Obras e a Casa Pietá, as orientações é que elas precisam estejar regularizadas e busquem assim, conquistar recursos financeiros das penas pecuniárias. Os editais são divulgados pelo Jornal Correio Trespontano. Basta buscar informações no Fórum e atender os requisitos para serem contempladas.

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