Três Pontas faz parte da metade do Estado de Minas Gerais que avançou para a onda verde, do plano Minas Consciente, que é o quadro controlado da Covid-19. Isto possibilita a abertura de serviços não essenciais, com alto risco de contágio. Entre eles estão, a realização de atividades artísticas como teatro e dança, cinemas, bibliotecas, parques, feiras, congressos, casas de festas, bufê e bares com música ao vivo. Mesmo com regras a serem seguidas, a flexibilização trouxe alívio e um fio de esperança para o retorno dos negócios, que estão fechados desde março, início da pandemia.

Comerciantes e empresários destes setores, estão procurando a Prefeitura e se adequando a nova realidade, enquanto não há uma vacina para imunizar contra o Coronavírus.

Estabelecimentos como o forró do Sérgio Baldansi, o popular “Calça Larga”, vai reabrir neste fim de semana, com capacidade de apenas 30% do público. Ele está fazendo pequenas reformas no espaço, que está fechado desde o início de março. Nestes sete meses sem trabalhar, “Calça Larga”, fez alguns bicos em Varginha, onde mora, e continuou pagando as despesas como aluguel, água, luz e outras despesas que não pararam de chegar na pandemia.

“Calça Larga” prepara o retorno do seu forró

A volta não está sendo fácil. Esta é a maior dificuldade que ele enfrenta em 8 anos realizando forró, mas admite que isto já é algo, seguindo as restrições e tomando todas as medidas para garantir a saúde das pessoas.

Na lista que “Calça Larga” recebeu da Secretaria Municipal de Saúde, está o uso obrigatório de máscara, para funcionários e clientes, a medição de temperatura na porta, higienização dos calçados em um tapete higiênico com álcool, que vai ficar na porta de entrada, álcool em gel, no bar, nos sanitários, e será feito o controle de entrada nos banheiros. Na pista de dança, ainda não será possível dançar, mas o comerciante espera ser liberado em breve.

Quem sofre com a pandemia é Elaine Cristina Goulart Heleodoro Pereira, da Marriage Cerimonial e Eventos. Ela tem uma empresa de eventos que atua em casamentos, aniversários, formaturas, feiras e eventos empresariais. Com 17 anos no mercado, ela tinha 32 eventos marcados e viu sua agenda esvaziar.

Se estas festas e comemorações não podiam ser promovidas, a Marriage procurou gerar opções alternativas para continuar atuando junto ao seu público, tentando reproduzir uma experiência mais próxima possível, usando as redes sociais para reuniões e para mostrar um pouco mais do trabalho.

Sobre a volta, Elaine Pereira diz “finalmente”. “Tivemos uma parada forçada desde março. Não se trata de irresponsabilidade, temos consciência da gravidade da pandemia e não queremos uma retomada descuidada, que possa ocasionar maior contaminação. Queremos um retorno respaldado por protocolos rigorosos. Assim como já ocorre em outros seguimentos, locais com aglomeração de pessoas, mas todas conscientes dos cuidados aos protocolos estabelecidos”.

Apesar das orientações, ainda há muitas dúvidas que passam pela cabeça de quem produz eventos, mas ela tem fé. “Navegar pelo cenário de incertezas já faz parte do currículo de qualquer profissional da área. Acredito que em breve tudo estará normalizado”, fala a empresária de eventos.

O Espaço Café tem todas as condições de reabrir as portas e atender com medidas de segurança, novamente os clientes que buscam um local arejado e espaçoso para realizar qualquer tipo de festa. De acordo com o proprietário, Daniel José Vitor Silva, o “Daniel do Gás”, a capacidade do espaço é de 974 pessoas e manter 30% disso nos eventos não é algo difícil. Na opinião dele, todos os outros setores já estão funcionando e se for seguindo as regras, não vê problema no retorno de festas e comemorações, desde que não haja aglomerações.

 

A decoradora de festas, Diana Graziele da Silva, começou a atuar no setor a 5 anos, quando produziu a festa da própria filha e ficou surpresa com a repercussão que teve entre os convidados e suas amigas. Isto a fez acreditar que ela poderia se tornar uma profissional da área. Depois, apareceu a primeira oportunidade e ela foi se aperfeiçoando e hoje depende do retorno de festas para manter suas contas em dia. Ela criou seu próprio estilo e se sente realizada.

No começo deste ano apareceu a oportunidade de alugar um espaço de festas, no É Big Eventos. Antes mesmo de abrir foi surpreendida pela grande procura de agendamento de festa. Chegou a agendar 15 decorações no espaço, com aniversários infantis e recepção de casamentos.

Infelizmente não teve esta chance, pois logo que assinou o contrato, Diana Silva deparou com a pandemia e com isso, o fechamento do espaço por tempo indeterminado, poder haver nenhum tipo de festa. “Foi muito frustrante, acabei criando grande expectativa com o espaço que eu havia acabado de adquirir. E não podia fazer nada para mudar a situação. Muitos envolvidos nessa área de eventos foram atingidos” relata.

Mas como todo brasileiro é esperançoso, imaginou que a pandemia duraria algumas semanas e jamais imaginou que perduraria por tanto tempo. Ela manteve em dia as despesas mensais do espaço, como água, luz, alarme e o seguro do espaço, acreditando que tudo isso iria passar e ela teria a chance que colocar todos os seus projetos em prática.

A primeira semana da pandemia foi uma loucura. Ela recebeu mensagens e telefones de mães e noivas desesperadas, sem saber o que fazer. Algumas teriam suas festas na semana do fechamento e estavam com tudo encomendado: doces, flores, bolos e todo o projeto de decoração prontos e os convites entregues.

Algumas, Diana conseguiu remarcar a data outras optaram mesmo em cancelar. “Tive um grande prejuízo, pois, mais de 75% dessas festas já estavam criadas e painéis de sublimação pagos por mim”, revela.

Ela foi percebendo que a situação era ainda mais séria e que as festas em clubes seriam ainda mais complicadas, sem a data para liberação. Diana partiu então ao plano “b”.

Usou as suas redes sociais e postou a corrente do apoio entre os profissionais da área de eventos, como a frase “Remarque, Não Cancele”. Ela marcou todos os profissionais que ela conhecia tentando criar uma corrente do bem.

Houveram alguns retornos mais não foi o suficiente. Então criou o “Festeja em Casa”, com uma decoração minimalista com tudo de festa mais em pequena quantidade e foi muito bem aceita. Ela se preocupa com tudo. Todos os materiais são higienizados, usam máscara e levam leva tudo o que é possível já montado, evitando assim ficar muito tempo no local.

“Foi isto que me ajudou muito. Acredito que não podemos viver só reclamando e tentando achar culpados, temos que ter esperança, nos reinventarmos sermos criativos, que tudo vai passar”, contou a decoradora.

Ela é agradecida aos proprietários do imóvel que fica na Avenida Prefeito Nilson Vilela, que deixaram de cobrar o aluguel em todos estes meses fechado. E lá se foram seis meses. O contrato de experiência acabou vencendo. Diana Silva optou por renovar, pois, acredita que vai levar um tempo para que se normalize.  “Acredito que as festas serão menores e eu não poderia arcar com tamanha responsabilidade de um espaço como aquele, sem ter garantia nenhuma da previsão liberação para eventos. Estou muito feliz e confiante que aos poucos tudo se normalize. Ainda temos que ser cautelosos, seguir todas as medidas necessárias para imitar a proliferação do vírus”, justificou.

Segundo ela, os salões de festas reduziram a quantidade de convidados e estão tomando todas as precauções para esta volta. Até o tempo de durabilidade das festas, diz Diana, foram reduzidos.

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