Dados registrados pelo Ministério da Saúde e depois compilados pelo Repórter Brasil, Agência Pública e Public Eye, mostra que Três Pontas integra a lista de 45 cidades do Sul de Minas, em que a água chega as estações de tratamento contaminada por algum tipo de agrotóxico. Pior, o Município é uma das sete cidades, em que a presença de químicos está bem acima do permitido, ao todo são 27.

Em nota, a direção do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), afirmou que a autarquia conta com um rigoroso controle de qualidade, monitorando a água na entrada das estações de tratamento, de acordo com resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Após passar por processo de tratamento nas estações, a água é distribuída dentro dos padrões do Ministério da Saúde, e as normas do Controle e da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano e seu Padrão de Potabilidade.

Além disso, a direção esclarece que a água passa por rigoroso controle de qualidade feito diariamente pelo SAAE, além do controle mensal realizado pela Vigilância Ambiental, através de laboratório credenciado pelo estado de Minas Gerais.

As análises para controle de agrotóxicos são realizadas de acordo com a resolução do CONAMA 357 com periodicidade trimestral e da Portaria do Ministério da Saúde semestral, sendo estes resultados informados à Vigilância Ambiental a qual disponibiliza os dados no Sistema de Informação da Qualidade da Água (SISAGUA) para consumo humano.

Na nota divulgada a pedido da Equipe Positiva,  a direção do Saae informa que até agora, os resultados obtidos por todas as análises realizadas para agrotóxicos nas águas distribuídas no município, estão abaixo dos valores máximos permissíveis e quantificáveis pela legislação em vigor. “Portanto, a água servida à população trespontana, atende aos padrões de potabilidade exigidos pela legislação vigente”.

Os municípios são obrigados a testar 16 tipos de pesticida, 11 deles são associados a doenças crônicas como câncer, má formação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

Foram realizados 854.140 testes entre 2014 e 2017. Segundo o levantamento, uma em cada quatro cidades do Brasil apresentaram contaminação. Ao todo, 83 cidades de Minas Gerais apresentaram químicos na análise da água.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país. Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água.

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