A expectativa de vendas para o comércio não são das melhores, porém, haverá crescimento em torno de 3%, se comparado com 2017. De acordo com o presidente da Associação Comercial e Agroindustrial de Três Pontas Bruno Dixini Carvalho (foto), alguns setores venderão bastante, outros nem tanto. Ela afirma em entrevista, que supermercados, vestuários e artigos de uso pessoal tendem a ter crescimento mais acentuado.

Foto: arquivo EP

Qual a expectativa de vendas para o Natal deste ano?

A expectativa é de leve crescimento, em torno de 3% acima do ano passado de maneira global.

Alguns falam que o Natal deverá registrar a menor taxa de crescimento do volume de vendas dos últimos anos. Outros que a movimentação será abaixo do esperado. Qual a opinião da ACAI-TP sobre estas expectativas?

Acreditamos que haverá crescimento comparado ao ano passado [2017], que já não estava tão bom em termos de aquecimento econômico, ou seja, a base de comparação já é uma base depreciada. Estamos vivendo um momento de muitas mudanças, incertezas e taxa de desemprego alta. Isso tudo hoje causa um certo pavor generalizado, mas vai chegando próximo aos dias do Natal, o espírito familiar e a caridade se afloram nas pessoas, e aí acabamos vendo que o consumo acelera em cima da hora, ainda mais com o 13º circulando. O número de 3% de crescimento é um número moderado, pois alguns setores venderão muito mais, outros nem tanto. Eletroeletrônicos terão uma grande saída na Black Friday por exemplo. Já supermercados, vestuário e artigos de uso pessoal tendem a ter crescimento mais acentuado.

Quais os setores tem a maior demanda neste período de fim de ano, ou seja, que vendem mais?

Supermercados, vestuário e artigos de uso pessoal puxam a fila, inclusive representarão 70% do volume de contratação de temporários, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Existe algum setor que deve vender mais este ano em relação ao ano passado?

Cosméticos e perfumaria tendem a ter uma taxa maior de crescimento além dos setores citados na pergunta anterior.

Qual o setor pode ter queda nas vendas neste ano?

Espero que nenhum. Mas acredito que na pior das hipóteses terá um cenário estável para alguns setores que tradicionalmente não são ligados às festividades. O pior da crise já passou. A definição do quadro político ajudou a acalmar os ânimos. As escolhas do presidente eleito vem agradando economistas e empresários. Aos poucos a confiança será retomada.

Qual o peso desta crise econômica no poder de compra dos consumidores?

O peso é a queda de consumo, menos dinheiro no bolso e medo. A roda deixa de girar, com tanto vigor como se via antes. Quando só se vende itens de primeira necessidade uma cadeia inteira para de rodar, aí acontecem as demissões, menos comissões sendo pagas e o dinheiro vai perdendo circulação. Os efeitos são drásticos, sonhos vão sendo protelados ou até mesmo esquecidos. Perde-se o ânimo em consumir. O aumento em tarifas básicas como energia e gás também silenciosamente enfraquecem o consumo. Em um ano que praticamente não houve incremento salarial, e houveram aumentos fortíssimos em combustíveis, energia, gás, etc. Isso obriga as famílias a fazerem cortes, e quem perde é o comércio, pois ninguém abre mão dos insumos básicos de um lar.

O Natal pode se tornar este ano, uma data das lembrancinhas ao invés dos presentes?

Sim, esse movimento vem já acontecendo de forma moderada, prova disso que foi apontado crescimento nos setores de cosméticos e perfumaria, que tem menor valor agregado comparado a outros presentes.

O comércio vai contratar para as comemorações de fim de ano? É um número ainda significante?

Vai sim, a CNC projeta 2,8% referente as novas contratações, sendo que 12% podem ser efetivados após o Natal. É um número pequeno, mas há de se comemorar, pois em um país que desestimula as relações trabalhistas como o Brasil, todo aumento deve ser comemorado.

A greve dos caminhoneiros ainda afeta o comércio em geral até hoje?

2018 tem sido um ano turbulento. A greve dos caminhoneiros foi ineficaz, pois os aumentos de combustíveis aconteceram do mesmo jeito, e isso influi em toda a cadeia logística, nosso país depende demais o transporte rodoviário. Houveram prejuízos irreparáveis em vários ramos, e depois da greve teve alta em vários alimentos que tiveram problemas de produção e desequilibraram a demanda. Foi triste ter vivido aquilo. Qualquer alta no diesel afeta tudo. Soma-se isso a Copa e Eleições! Vários feriados em quintas e sextas, órgãos públicos emendam… Quantos dias parados juntando todos esses eventos? Quanto de dinheiro deixou de circular? Isso não volta. Perdemos e feio. Com certeza essa somatória de acontecimentos, e suas drásticas consequências afetaram o ano, certamente que os setores mais prejudicados tendem a ter um Natal mais magro. E já do lado do consumidor, os mais afetados devem utilizar o 13º para quitar dívidas em muitos casos. O importante agora é olharmos para frente e aprendermos de fato com os erros, ter “boa memória”. Sermos otimistas, que vai melhorar! O pior já passou, e agora vamos trabalhar para recuperar os ânimos, e apostar em 2019. Boas festas á todos! Feliz 2019!

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